| Agora é que isto descambou tudo |
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| Escrito por Cruxe | |
| 05-Fev-2007 | |
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Ontem ouvi uma das maiores palhaçadas da minha vida e fiquei estupefacto... parvo... atónito... sei lá, acho que nem há palavras para descrever. Então não é que os defensores do NÃO vêm para a comunicação social (continuando a defender o NÃO) dizer que mesmo que ganhe o SIM a lei deve ser mudada e a mulher que pratique o aborto não deve ser penalizada por isso.
... Pausa para reflexão ...
Vamos lá ver uma coisa, o problema não é apenas a prisão das mulheres, mas também as condições em que elas praticam o aborto, com todas as implicações que possa ter para a saúde. No referendo pergunta-se se concordamos com a (1)despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por (2)opção da mulher, nas (3)primeiras 10 semanas, em (4)estabelecimento de saúde legalmente autorizado. Ora, se votamos não é porque não concordamos com alguma destas opções. Então temos quem não concorde com: (1) Despenalização da IVG - Então se não concordam, não se muda a lei, porque ao mudar a lei, tendo ganho o Não, está-se a ir contra a opinião do povo expressa no referendo e, para isso, o governo poderia ter mudado a lei sem referendo e escusavam de andar a gastar dinheiro dos nossos impostos. (2) Opção da Mulher - Se não concordam que seja por opção da mulher, então deverá ser uma coisa imposta? Deverão ser médicos a decidir? O pai da criança? Os avós? Ou o padre da freguesia??? Claro que tem que ser a opção da mulher. (3) Primeiras 10 semanas - Ok, pode-se considerar que às 10 semanas já há vida, tal como se pode considerar que essa vida tem "pouco valor", acho que aí é uma questão de consciência de cada um e quem opta pelo aborto é que tem que pensar bem nessa questão. Pessoalmente preferia que fossem as 12 semanas, porque às 10 semanas pode criar na mulher uma pressão maior para a decisão. (4) Estabelecimento de saúde legalmente autorizado - Quem não concorda com esta parte, das duas uma, ou não se preocupa com a saúde das mulheres e, assim, as que continuarem a optar por aborto ou o fazem em locais sem as condições mínimas, ou se tiverem dinheiro vão continuar a ir a Espanha.
Depois disto fico a pensar que os defensores do NÃO querem apenas despenalizar as mulheres que optem pela IVG. Ok, deixam de ser julgadas e condenadas, mas se optarem por essa via terão que recorrer ao aborto clandestino na mesma, tal e qual como agora. O que é que muda na lei??? Na prática, NADA! E, repito, se for para mudar a lei seja qual for o resultado do referendo para quê gastar dinheiro em referendos inúteis? E reforço a minha posição: Faz-me menos confusão que uma mulher "mate" um feto, do que ver crianças serem abusadas e maltratadas.
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