| As razões para o Não do Tó |
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| Escrito por Cruxe | |
| 07-Fev-2007 | |
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O Tó, a meu pedido, enviou-me um texto que eu publico a seguir sobre as suas razões para votar não. Sempre vi o Tó como uma das pessoas mais integras e coerentes que conheço. Daquelas que despem a camisa e passam frio para outra ficar quente. Por isso, se ele diz que há outras soluções e promete pôs mãos à obra para ajudar as mulheres, eu acredito. Apesar de não concordar com algumas das razões dele, existem algumas em que ele tem muita razão e quando tiver tempo, colocarei aqui as minhas razões também.
As razões para o meu Não
Vai ser o meu segundo referendo sobre a questão do aborto, no último votei sim, porque pensava que o aborto legal iria ajudar a que fosse mais difícil de abortar e que fosse realizado em ultima instância. No entanto agora, percebo que não é isso que está em questão. Parece-me que se o sim ganhar, vai deixar muito mais questões em aberto... Porque é que a mulher passa a ser criminosa a partir das 10 semanas e um dia? Porque é que o pai mesmo que queira assumir a paternidade, não o pode fazer? Porque é que a solução para os problemas sociais graves, passam pela morte de uma vida? É por ser legal que o aborto deixa de ser uma coisa má? Até nas mulheres que abortam espontaneamente existem problemas...são muitas as marcas que ficam na mulher. Segundo os dados existentes sobre os "países evoluídos" da Europa, o aborto legal aumenta de ano para ano, o aborto clandestino continua. Nos USA, 40 % dos abortos são repetidos... a legalização não parece resolver os problemas. Muitos desses países começam a querer reduzir os prazos para o aborto, à luz dos avanços da ciência e dos estudos sobre a vida intra-uterina. (às 10 semanas, já existem todos os órgãos formados, a partir dai é só crescer até aos 12 anos em que termina a formação dos pulmões) Os julgamentos que existiram em Portugal, vão continuar porque foram sobre abortos posteriores às 10 semanas. Os apoiantes do não no ultimo referendo, mobilizaram-se e criaram uma rede de apoio social, com 50 associações de apoio às mulheres em dificuldade, que apoiaram milhares de famílias e ajudaram em concreto 10 mil bebés a nascer. A grande maioria está entregue às famílias biológicas. Essas mães foram apoiadas, acompanhadas, foram criadas condições para que tivessem os seus filhos apesar das dificuldades. São, pelo menos, 10 mil as razões para votar não... Também têm trabalhado junto de jovens com o objectivo de educar para a sexualidade e afectividade. Não entendo como nos é que nos últimos anos o estado deixou de apoiar estas instituições e agora quer financiar o aborto. Essas associações sobrevivem graças à grande generosidade dos seus voluntários e à solidariedade do povo português que responde sempre aos pedidos. Será que o dinheiro investido nas áreas de trabalho destas instituições, nas áreas da educação sexual e afectiva, nos meios contraceptivos, nas consultas de planeamento familiar, não teria maior efeito... E as mães adolescentes têm que pedir autorização dos pais para abortar, ou os pais não tem nada a haver com isso? Será que haverá mesmo interesses económicos no facto de legalizar o aborto em Portugal? (em Espanha é a 7ª actividade económica do país. Achas que numa clínica em que o objectivo é vender abortos, existirão pessoas a acompanhar as mães, para que elas o façam só em ultima instância? (os testemunhos de mães espanholas são o contrário) O aborto clandestino também mexe com dinheiro, mas é crime e as pessoas que lucram com o sofrimento das mulheres são punidas. (se a questão fosse só a penalização das mulheres, penso que seria diferente a minha posição...) É verdade que o facto de ser legal, não obriga ninguém a abortar, mas deixa as mulheres mais vulneráveis ás pressões do marido, companheiro, amante, patrão (sim existem historias de mulheres pressionadas pelos patrões), pais, etc... e a lei existe para dizer o que aborto é mau. Será que depois do sim ganhar, não é mais fácil o estado se desresponsabilizar e dizer que o problema está resolvido? Haverá depois apoio á formação e educação para o planeamento familiar, afectivo, sexual, haverá apoio às mulheres em dificuldade? Ou será tudo encaminhado para a solução milagrosa? Só o facto de ser desejado é que faz o bebé ser filho? É filho mesmo não sendo desejado.2/3 da população mundial foi acolhida, não foi desejada! A mãe é mesmo dona da barriga? O direito dela não colide com o direito do bebé viver? Porque é que é tão difícil adoptar uma criança em Portugal, quando existem mais pedidos de famílias do que crianças adoptáveis. Sinceramente não creio que o Sim, seja a solução para estas questões. Gostava muito que a aposta fosse na resolução dos problemas que estão na raiz. Dizer sim irá permitir o aborto por qualquer razão. Para mim seria matar um bebé que já tem um coração a bater, fígado, olhos, pálpebras, impressões digitais iguais às que irá ter durante toda a vida. É verdade que existem problemas, mas a alteração proposta não irá resolve-los. Acho que a partir daí é mais fácil o estado desresponsabilizar-se e achar que o problema esta resolvido. Eu gostava de deixar para as gerações futuras um testemunho de esperança, em que Portugal no inicio do sec. XXI optou por ajudar de verdade as mães, as familias e os bebés. Optou por ir ao fundo da questão e não ficar apenas na superficialidade. Penso que seria mais um marco muito positivo na historia deste país, que em vez de ir a reboque, seria fiel à sua história de solidariedade real, de interesse pelos problemas dos outros e pela construção de um mundo mais solidário, que ofereça opções de vida! Desculpem os que não concordam comigo, mas não me sinto retrógrado nem inimigo das mulheres. Sinto-me muito coerente com aquilo em que acredito e pelo que luto. Seja qual for o resultado, tenho a certeza de que os apoiantes do não irão continuar a trabalhar no terreno mesmo sem apoios estatais. Eu comprometo-me a tentar fazer a minha parte...
Tó
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